sábado, 29 de agosto de 2009

Gripe A

RECUSO-ME a falar sobre esta questão!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Esplanada

Todos os Sábados lá iam os dois beber cerveja fresca e ratar uns amendoins em clima de amizade e humor desenfreado.

Entoava ela, meio ébria, enquanto se erguia da cadeira e elevava a sua caneca em jeito de discurso:
- Queres criatividade? Pois bem… criatividade é o que te vou dar a conhecer, tal qual poeta ávido de chorar memórias de intrínseca existência em velhas folhas esquecidas por entre ratazanas, pó e anos de eterna solidão e suplício…
Não vou permitir que esta tristeza que me aprisiona por entre ténues barras de metal, que formam o cárcere desta minha pequena - porém conturbada - vidinha, estraguem este belo momento de confraternização entre irmãos! É um momento único, porque raro, que se deve aproveitar até ao fim…

E rematou com um sorriso de satisfação:
- Definição de fim: essa bela localidade lá dos confins do recôndito, onde se situa o tutano de tudo!

Ele retorquiu, por entre gargalhadas:
- e se te calasses?

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A pomba


Queria tanto ser como ela!
Formosa e distinta num parapeito de janela…
Ora a debicar umas migalhitas,
Ora a cagar na cachola dos que a aborrecem.

Sinto a tua falta

À noite
Ergue-se timidamente.
Mais que humana
Corrosiva e lacerante.
Esta saudade de ti

Nada se edificou
A não ser o devoluto.

Sem ti sou…
O branco ostensivo
O copo vazio
O eco, eco, eco, eco…
a bagatela.

Sinto a tua falta.
E é só isso o que sinto.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Muito para além II



… Superar a aridez dos desertos da alma e convertê-los em jardins frutados. É esse o caminho que ela trilha.



Naquele dia nasceu um sol mais vigoroso que nos outros. Ela saltou da cama de rompante, algo que já não acreditava ser novamente possível – tantos, tantos meses passados em letargia! – , e lá correu desalinhada até à porta de casa. Parecia saber!
Deixou-se cair prontamente de joelhos e abriu um pedaço mal-enjorcado de papel que tinha esgravatado freneticamente lá na frincha da porta. Algures nos borrões encarquilhados os seus olhos agitados puderam ler:

"Por tantas vezes falámos, por tantas vezes desaparecemos uma da outra… Não sei se é desse perfume que nunca cheirei ou desses braços emagrecidos pelas dores da vida que nunca me abraçaram, mas sinto a tua falta. “

“Oh, diabos!” – pensou ela de sobrolho franzido, quando notou que o bilhete não estava assinado...

segunda-feira, 23 de março de 2009

DESEJOS

Correm pelos veios das montanhas…
Embatem contra monumentos, estatelam-se em rochas.
Cabelos esvoaçam e estilhaçam,
Relincham dor – tanta história por aleitar!
Choram mentes e mudanças!

Sempre os ouço… não me dão paz.
Falam-me de margens além, caminhos que não consumi.
Anos passam e eu só fixo o que lá vem,
Parto espelhos e não me revejo, só vejo e anseio.
Invoco demónios e os planos que me reservam!

O espectro que nasceu deste meu regaço
Extravasou sonhos megalómanos,
Forças que não retenho;
Que não me captam, mas que magnetizam.
Laceram a tal ponto – quero evadir!

Repudio o viver. Desejo horizontes!
O meu último reduto é agigantar o que cá trago...
Ser mais que dois pés no solo comum. Emergir.
Almejo ser ferro e pedra, mas muito mais…
Quero ser o lar da mais bela das obras!

Ânsias que são; são as que não me assistem
Chegarei lá um dia, se os ventos me ajudarem
Quem sabe, sozinha… quem sabe, comigo.
Até lá procuro-me
E não me encontro.

sábado, 7 de março de 2009

Só hoje

...


Meu anjinho da guarda…

Hoje não te peço forças para amarrar a cabeça e abrandar a carne. Hoje (e só hoje) desprezo a ânsia de ser ferro… e com brio te digo que hoje (e só hoje) nada tenho a pedir-te.